Amazon aumenta investimentos em streaming

A Amazon comprou direitos de streaming de vídeos da rede Epix para seu serviço Amazon Prime Instant Video. Porém, a grande novidade foi um pagamento extra por performance, que não havia sido divulgado anteriormente, e que pode mudar a forma como esse tipo de contrato é negociado.

Segundo um executivo diretamente envolvido nessa negociação, a Amazon concordou em, além de pagar um valor fixo à vista, como na maioria das negociações de serviços de vídeo-sob-demanda feitas até o momento, pagar também uma quantia adicional à Epix se o número de assinantes do serviço Amazon Prime Instant Video ultrapassar um certo limite.

Os termos generosos do negócio, anunciado em setembro, evidenciam que a Amazon está disposta a pagar por um espaço nesse mercado, motivada pela queda na demanda por DVDs (que já foi uma de suas principais ofertas de entretenimento), e pela competição acirrada enfrentada pelos seus tablets Kindle Fire.

Estúdios de cinema e executivos de redes de TV, por sua vez, têm agora um bom parâmetro para contrastar com a Netflix - que era a única empresa de streaming de peso - e, possivelmente, um modelo para futuros negócios.

Drew Borst, analista de mídia da Goldman Sachs, disse que "Podemos chamar isto de negociação de vídeos online versão 2.0. Depois de fazer negociações 1.0, principalmente com a Netflix e um pouco com a Amazon, ficou claro para as empresas de mídia que elas podem querer abocanhar uma fatia de qualquer crescimento futuro também".

O acordo com a Epix - uma parceria entre os estúdios Paramount Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer e Lionsgate - foi estruturado para que os estúdios possam faturar se houver um crescimento rápido do Prime Instant Video, segundo o executivo envolvido na transação.

Mark Greenberg, diretor executivo da Epix, disse sobre a Amazon: "A entrega de conteúdo via Internet é um modo que um emergente público jovem quer ver conteúdo, e ela sabe que pode ser um competidor importante nesse espaço, nós estamos felizes em ajudá-la a chegar lá."

A Epix já teve um acordo com a Netflix, que pagava US$ 200 milhões por ano desde 2010 pela exclusividade dos filmes da rede. Quando o período de exclusividade expirou, a Amazon correu para fechar uma parceria de três anos e adicionar cerca de 3.000 filmes da Epix ao Prime Instant Video.

O acordo mostrou que a Amazon, que não tinha reputação de pagar caro por coisa alguma, era séria sobre suas ambições de vídeo digital e estava disposta a gastar centenas de milhões de dólares para obter conteúdo.

"Às vezes economizamos ao fazer grandes investimentos produtivos", disse Roy Price, chefe da Amazon Studios, estúdio de Hollywood da Amazon. "Quando houver oportunidade, faremos isso."

Nova melhor amiga de Hollywood

Os estúdios serão beneficiados.

"Hollywood adora isso porque podem dizer que a Amazon está nos pagando X e queremos que você pague mais", disse Michael Pachter, analista da Wedbush Securities, em Los Angeles. "É um porrete que podem usar para acertar na cabeça da Netflix."

Um porta-voz da Netflix se recusou a comentar sobre a estrutura de ofertas de conteúdo.

"Nunca pensamos que não teríamos concorrência", disse Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, durante uma conferência de investidores no mês passado. "Ficamos surpresos que tenha demorado tanto para alguém surgir de forma significativa."

O serviço Prime Instant Video da Amazon tem mais de 25.000 títulos, mas ainda é cerca de metade do número disponível na Netflix.

Além da Netflix, a Amazon também compete com a Hulu, dirigida por Jason Kilar, um ex-executivo da Amazon, que possui um serviço de assinatura de vídeo chamado Hulu Plus. No início do ano, a Comcast Corp lançou um serviço concorrente chamado Streampix, e a Verizon e a Redbox Coinstar devem em breve lançar seu serviço.

Embora os acordos de streaming da Amazon custem menos do que os da Netflix, em valores absolutos, eles pagam mais com base no número de assinantes, de acordo com executivos de mídia e analistas de Wall Street.

A Amazon oferece seu serviço de streaming de vídeo-sob-demanda como parte de seu programa Prime nos EUA, que cobra US$ 79 por ano pela entrega grátis, em até 2 dias, da maioria dos produtos que a empresa vende.

A empresa não divulga o número de assinantes de seu serviço Prime, mas algumas empresas de mídia que fizeram acordos de streaming de vídeo com a Amazon viram os dados. Um executivo que viu os números disse à Reuters que a Amazon tem cerca de 9 milhões de assinantes Prime. Assinantes Prime Video - membros Prime que utilizaram o serviço de streaming - estariam entre 3 e 4 milhões.

A base de clientes da Netflix é maior, cerca de 25 milhões de assinantes de streaming nos EUA. Isto significa que o seu custo total em acordos de licenciamento é normalmente maior do que da Amazon, disse o executivo. Mas o custo da Amazon, quando ajustado para o número de assinantes, é normalmente maior devido à sua menor base de clientes.

A Amazon não revela o quanto paga pelo conteúdo. O analista Anthony DiClemente, da Barclays, estima que a Amazon gasta cerca de US$ 1 bilhão por ano em conteúdo para seu serviço de streaming, enquanto a Netflix gasta perto de US$ 2 bilhões por ano.

As ações da Netflix caíram até 11% no dia em que o acordo da Amazon com a Epix foi divulgado, embora tenham recuperado o valor depois disso.

Os papéis da Netflix saltaram mais de 10% na segunda-feira, após o upgrade da empresa pela Morgan Stanley, que disse que a Amazon dificilmente separaria o serviço de assinatura de streaming de vídeo de seu serviço Prime, tornando-a menos do que um concorrente direto.

No entanto, manter o Prime Instant Video atrelado a seu programa de envio Prime irá ajudar a Amazon a pagar mais por conteúdo de vídeo, já que poderá subsidiar os custos de conteúdo com os lucros feitos com clientes Prime ao comprarem mais produtos físicos pela empresa, disse Pachter, da Wedbush.

A importância do Prime

A Amazon, a maior varejista online do mundo, tem sido líder nas vendas de DVDs, mas as mesmas estão caindo à medida que mais espectadores optam por download e streaming de vídeo em seu lugar.

A espiral descendente das vendas de DVDs combina-se com a disputa da Amazon com a Apple Inc no mercado de tablets. A Amazon oferece seus aparelhos Kindle Fire por um preço abaixo do iPad da Apple, a fim de usá-los para lucrar com produtos e serviços que os consumidores compram em seu site, incluindo filmes digitais, programas de TV e livros.

Isso quer dizer que ganhar acesso a filmes e programas de TV digitais é crucial para o futuro da Amazon.

Desde meados de 2011, a Amazon anunciou acordos de streaming de vídeo com mais de 10 empresas de mídia, incluindo NBCUniversal (parte da Comcast), News Corp (da Fox), e ABC, parte da Walt Disney Co.

A Amazon tem selecionado com cuidado o conteúdo que compra, em contraste com a Netflix, que opta por obter uma gama mais ampla, de acordo com executivos de mídia que fizeram acordos com ambas as empresas.

"O fato de que eles gastaram muito dinheiro em poucas coisas tem sido muito interessante", disse Sarandos, da Netflix, durante conferência de investidores no mês passado. "Estamos obviamente de olho nisso."

Preocupação com o commodity

Porém, algumas empresas de mídia estão tomando muito cuidado com a Amazon, devido a seu histórico em baixar os preços.

No mercado de livros e e-books, segmentos que a Amazon domina, ela tem batalhado com editoras o direito de definir seus preços de varejo abaixo do atacado.

A Amazon terá mais dificuldade em comoditizar filmes e programas de TV, pois está competindo por conteúdo com uma lista crescente de rivais de streaming de vídeo sob demanda. E Hollywood controla com mais força como e quando o seu conteúdo é distribuído, com filmes de grande orçamento normalmente indo primeiro para cinemas, e em seguida DVD e TV paga.

Por exemplo, uma empresa de mídia tem contratos de curto prazo com a Amazon, permitindo saídas rápidas se o negócio não for de acordo com o plano, disse um executivo.


Fonte: Reuters.

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