Ted Sarandos culpa os cinemas pela pirataria

Muitos reclamam que a Netflix não possui filmes recentes (do tipo recém saídos do cinema), mas nem todos sabem que a culpa não é necessariamente dela. Durante palestra no Film Independent Forum, Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, "apontou o dedo" para os donos de salas de cinema, culpando-os de reprimir inovações e de matar não só os cinemas, como também os filmes.
"A janela de exclusividade de lançamentos de filmes no cinema é outro problema que tem tornado a TV mais predominante em nossa cultura. Há um certo movimento nas produções independentes com lançamentos simultâneos em cinemas e DVD, mas em doses muito pequenas. Os grandes filmes que estúdios gastam bilhões para nos vender continuam sendo vendidos do mesmo modo há anos: primeiro aos cinemas por vários meses, depois por DVD por vários meses, e então para TV paga, onde a Netflix consegue ter acesso a eles. Acredito que estas janelas antiquadas (para filmes) provavelmente impulsionam a pirataria global mais do que qualquer bittorrent, Pirate Bay ou qualquer site de pirataria. Dê aos consumidores o que eles querem".
O que você acharia de poder ver na Netflix um filme no mesmo dia que ele for lançado no cinema? A seguir, mais detalhes, incluindo o vídeo com as declarações de Ted Sarandos.
Sarandos acredita que o que a Netflix tem feito com séries de TV pode ser estendido para filmes:
"Por que não estrear filmes na Netflix no mesmo dia em que entram nos cinemas? E não apenas filmes menores, por que não grandes produções? Por que não atender o desejo do consumidor de assistir algo quando quiser, ao invés de investir dezenas de milhares de dólares fazendo propaganda para pessoas que nem moram perto de um cinema, e fazê-las esperar 4 ou 5 meses para poder assisti-lo? Elas provavelmente esquecerão. Não culpo os estúdios pelo que fazem, porque estão sempre tentando inovar. O vídeo sob demanda tem sido testado, e os donos de cinemas reprimem este tipo de inovação sempre que podem. Minha preocupação, e o motivo pelo qual poderemos nós mesmos tentar lançar grandes filmes desse modo, é que à medida que os cinemas sufocam inovação e distribuição, eles não só vão matar os cinemas, como podem também matar os filmes".
Durante a sessão de perguntas e respostas, ele acrescentou:
"Vários chefes de estúdios me disseram que se distribuíssem filmes em DVD no mesmo dia que nos cinemas, as salas de cinemas ficariam vazias. Não acredito que seja verdade. [...] Acho que os cinemas não ficarão vazios se as pessoas tiverem outras opções porque as pessoas querem sair. Basta lhes dar uma ótima experiência e elas irão. Tentar cerceá-las e forçá-las a isso através de janelas de exclusividade, que funcionavam bem quando não havia tecnologia... Temo que os cinemas se juntem para manter longa sua janela. Apesar dos avanços, 90 dias é muito tempo para dizer 'se você distribuir este filme de qualquer outra forma em menos de 90 dias, não iremos exibi-lo, não mostraremos o pôster e vamos queimar sua pipoca'. Acho que essa abordagem é errada. A correta é ouvir o consumidor e dar a ele o que ele quer, quer seja no cinema ou no vídeo sob demanda, e ele irá comparecer. Isto é um fato comprovado. Toda tecnologia que ia matar a indústria do cinema aumentou a indústria".
A palestra completa (43min., em inglês, sem legendas) está disponível logo abaixo.

Netflix's Ted Sarandos - Keynote Address | 2013 Film Independent Forum

6 comentários:

  1. Cinema não é só o filme, cinema é uma experiência. Cinema é o escurinho da sala, é o cheiro da pipoca, é a fila da bilheteria, é o 'tchiuuu' pra fazerem silencio quando o filme vai começar. São as experiências não não podem ser recriadas em casa, então a possibilidade de assistir a um filme em casa à época do lançamento do cinema não vai acabar com o cinema.

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    1. Anônimo, talvez esses sejam os mesmos motivos pelos quais não tenho ido muito ao cinema: odeio filas (que nos dias de promoção são enormes), não tolero as pessoas falando alto ou atendendo o telefone durante a projeção... e eu poderia muito bem fazer pipoca em casa (se eu gostasse).

      As pessoas costumam associar a mídia com o conteúdo. Conheço quem só gosta de ouvir LPs em vinil ("a música perde a graça em CD", e "as capas são maiores, mais bonitas"), assim como quem só gosta de ler livros em papel ("um tablet não tem o ´cheiro´ de livro novo", etc.). Eu sinceramente não aprecio tanto as mídias, dou valor ao conteúdo... mas entendo o romantismo associado às mídias tradicionais, e respeito quem pensa dessa forma.

      Por outro lado, já fui em cinemas alternativos que realmente fornecem experiências diferentes: salas com sofás e poltronas ao invés de centenas de cadeiras idênticas (e nem sempre confortáveis), lanches e refeições completas à mesa ao invés de pipoca e refrigerante, eventos com a participação de artistas e cineastas, projeção de eventos ao vivo (incluindo visitas a museus de renome mundial)... Acredito que esse tipo de inovação é o que pode manter e fortalecer os cinemas cada vez mais.

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  2. Como o anônimo disse a experiência do cinema é única. Esse vídeo do Pablo vilhaça explica bem: http://www.youtube.com/watch?v=F_wv5l0SE3s Mas concordo que a janela para videos entrarem no netflix deveria ser bem menor.

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  3. Adoro Cinema, se saísse no mesmo dia na NetFlix escolheria ir ao Cinema, pois realmente é mágico. Mas nem todo filme tenho tempo e quero ir. Concordo com o Ted, seria muito interessante que pelo menos fosse um tempo menor após ser exibidos para estarem disponíveis. Se demorasse 2 meses pelo menos eu assistiria no cinema, e chamaria muita gente depois que não pode ir, assistir em casa comigo.

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  4. agora é outro anônimo, hehehe...

    a própria netflix, e outros serviços semelhantes, como os da amazon e apple, até um google filmes (o google como estúdio de cinema eu digo) vão ir quebrando as pernas da indústria e seus velhos modos e métodos caquéticos, fazendo o óbvio que ela não quer ou não pode fazer, até que ela, a indústria como um todo, passe a fazer oque a própria netflix, como maior exemplar do conteúdo sob demanda sugere...

    chega de janelas de exibição, se algo for lançado, que seja simultaneamente em todas as mídias, inclusive as físicas como blu-ray e dvd, como algumas pessoas ainda gostam de comprar, e até em algum canal da tv fechada...

    seria mais "arrebatador" se os lançamentos fossem assim...

    claro que a luz própria da maioria dos títulos brilharia e se apagaria bem rapidamente, ficando na memória das pessoas apenas aqueles muito bons mesmo, mas acho que com as pessoas podendo ver de qualquer forma um determinado lançamento, assim que ele fosse lançado, ajudaria e demais a própria indústria...

    mas até aí, não há nada demais no que eu falo, as coisas só seriam oficialmente assim, já que com a própria internet, na maioria das vezes, já é possível ver determinado filme por exemplo, em boa qualidade, com menos de 1 mês dele lançado nos cinemas, e em qualidade duvidosa, pra "matar a lombriga do curiosidade", é possível ver em até menos de 12 horas depois de um filme lançado...

    a netflix só quer oficializar oque já é bem sabido por todos...

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  5. Tem outras coisas que só o cinema faz pelas pessoas comuns. Por exemplo, a qualidade do vídeo (nem todo mundo tem tv HD) e do áudio (nem todo mundo tem home theater) são muito superiores ao que o serviço de streaming/cabo médio podem fornecer.

    É exatamente a mesma coisa que o Steam filosofa. A pirataria fornece um produto com preço zero. Você tem que vencer eles com serviços, não com preço.

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